Capítulos

“O segredo não é correr atrás das borboletas, é cuidar do jardim para que elas venham até você.”  - M. Quintana

Ars medicina - "arte da cura"

Após dois longos anos pude, enfim, emocionar-me por ver meu nome numa lista de convocados para matrícula no curso de Medicina de uma faculdade pública. Não bastasse seguida de uma segunda convocação.

Como em um instante de sublime equilíbrio espaço-temporal, todos os passos dados, pseudo-verdadeiramente calculados, todas as questões resolvidas, todos os medos superados, todo o tempo despendido, todos os amigos conquistados, todas as frustrações subjugadas, tudo que era presente tornou-se passado e história de uma vida imperada por um sonho.

OS PASSOS

Não se iluda. Por mais longa que seja a estrada, quanto mais armadilhas possuir, quanto mais sufocante esteja o tempo, o final sempre traz o éden que lhe é necessário. Fórmula para alcançá-lo? Continuar.

OS OBSTÁCULOS

Pensava o rapaz como contorná-los. Fazia planos. Não reparava, contudo, que era o maior deles e que se vencesse a si mesmo, venceria os demais. A sabedoria lhe veio num dia de sol, ou ainda num dia chuvoso, talvez à tarde, quem sabe durante o anoitecer. Veio a ele sem que soubesse.

OS MEDOS

Grandes engenheiros da coragem. É preciso que existam para que encontremos os caminhos da vivência. Uma mente sem medos deve temer, ao menos, a ausência deles.

O TEMPO

… das horas, do ambiente, o tempo que limita, que apressa, que castiga, que faz falta. Professor não-letrado, esse substantivo leciona uma das mais árduas disciplinas da vida: o equilíbrio entre o concreto e o incerto.

OS AMIGOS

Espécimes curiosas. Uns instáveis psicologicamente, outros amargurados, há os que sorriam sem pedir o mesmo em troca, há os que conversam pelo olhar, os que te compreendem, os que ora estão distantes cerceados por uma gigantesca parede de coisa desconhecida, ora desembrulham empatia e felicidade. Existem os construídos no passado, e os emoldurados no presente, aqueles aos quais você confia suas angustias, e aqueles amigos-colegas-conhecidos-distantes-cumprimentáveis. Talvez a amizade seja um quadro distorcido surrealista pintado por cada indivíduo.

AS FRUSTRAÇÕES

Sentimentos sublimáveis, aquecidos pela felicidade.

Com orgulho pessoal que encerro uma fase da minha existência para mergulhar num oceano profundo e totalmente novo do desconhecido que escolhi viver.

Sejam todos bem-vindos à minha vida.

Reencontro

Renascimento


 
 

″Nada melhor do que se encontrar após um período de estiagem.

Faltei a mim mesmo.

Felizmente, a seca se foi e a primeira gramínea se levanta no solo desgastado de uma alma que se renova.“

 
 

“Eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata.”

Carlos Drummond de Andrade

Distante não é inalcançável. Distante é produção de sentimento.

Lá onde o sol se esconde num jogo infantil,
Lá, distância mais próxima do meu estado essencial,
Lá que guarda a alegria do espírito,
Que é lugar bom,
Que abriga a direção correta.
Lá onde a amizade é verdadeira e onde o amor é sentimento invendável.
Contrariando o poeta
Gorjeiam as aves aqui pior que acolá.

Mário Quintana

“O segredo é não correr atrás das borboletas..

É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

Considerações mundanas…

” Curioso nao sentir um vazio com o fim de algo que é muito aprazível. Curioso nao estar saudosista. Curioso não encontrar motivo para debulhar-me em lágrimas por algo que faz milhões chorarem. Curioso ou preocupante? Preocupante para mim ou para ou demais? Se a magia me faz chorar, se a imaginação me faz nostálgico, a fome, a tristeza, a angústia, a incerteza, a pobreza, a doença, o abandono, o descaso, o desrespeito, a mutilação, a humanidade faz milhões de pessoas chorarem todos os dias. Por isso eu choro. Choro por me sentir incapaz e impotente diante de tanta depreciação humana. Choro, lacrimejo, fundo-me. Creio, portanto, que não seja preocupante para mim! “

Postado por Joseph Segantin – @ricksegantin 

Imagine e Veja

Efetivamente, as palavras supracitadas traduzem muito da conclusão a qual cheguei, ao longo dessas horas de análise subconstiente, acerca das novas peripécias cinematográficas que conduzem seu público ao delírio, ao dilúvio e ao êxtase. Esforço-me para compreender a razão intrínseca e massificadora que rege a orquestra lacrimal e de som estridente que conduz milhões à plenitude mítica. Levanto hipóteses, crio teorias, assumo posicionamentos, porém, todos falhos, efêmeros e insignificantes. Admito, no entanto, fazer parte ‘relativa’ desta maioria sedenta pelos mundos ficcionais, pela magia, pela ilusão, pelos mundos paralelos e impossíveis, mas, confesso, do mesmo modo, temer tanta comoção diante do fim de uma produção literário-cinematográfica. Tantos lenços, tantos gritos, tantos soluços, tremores e desilusões. Tanto lucro (financeiro e pessoal), tanta autopromoção, tanto lucro, tantas entrevistas, tanto lucro – sim, os ‘lucros’ anafóricos são intencionais.

Não critico a simples apreciação das produções, ao contrário, aprecio saborosamente os efeitos visuais, as ilusões, a sensação de transgressão, contudo, existe uma exacerbação sentimental camuflada. Algo que poderia ser redirecionado para setores REAIS e DEFICITÁRIOS.

Não há choro pelos ‘miseráveis’, não há lamento pela falta de comida, não há comoção humana pelos humanos. Adolescentes, jovens e adultos, supostos responsáveis pelo soerguimento futuro da civilização, adoecem defronte as grandes telas e relevam o sofrimento alheio, o sofrimento de quem sente dor, raiva, angústia e amor, o sofrimento de quem está vivo biologicamente.

Não se deve negar as emoções provocadas pelo cinema, teatro e televisão, mas é preciso ponderar e discernir o fanatismo da apreciação.

Obras machadianas, alencarianas, lispectorianas e tantas outras ‘anas’ do primeiro escalão da literatura brasileira são subjugadas pelo ficcionismo industrial que suprime a realidade, boa ou ruim, ao oferecer asilo político em suas páginas surrealistas.

Enfim, caros Leitores, ao abduzirmo-nos nas asas de um livro, nas cenas de um filme ou nos capítulos de um seriado, é preciso que estejamos atentos a estes dois mundos nos quais transitamos arbitrariamente.

« Post-scriptum: Não sou averso à Saga HP, definitivamente não!  Sou temente ao exagero que ela, ou qualquer outra coleção, possa trazer ao público. Basta. »


Shakespeare

“Chorar é diminuir a profundidade da dor.”- William Shakespeare

 Qual a intensidade de sua dor? Por quem sente dor? Será que sua dor é tamanha como crê que seja?

Seja como for… Reflita

E se…

?¿

 

 

E se seus olhos nao me dizem o que me mostram?
E se seus lábios não sorriem pelo que digo?
E se sua voz não diz aquilo que ouço?
E se estiver confuso o suficiente para nao saber o que é confusão, ou o que é emoção?

E se a vida for curta demais pra eu esperar infinitamente?
E se a espera for em vão?
E se o desespero for um aviso?
Aviso complexo indigno, inclusive, de atenção.

E se o entardecer que me comove, for apenas parte do ciclo terrestre?
E se você que surge nebulosa em meus sonhos, for apenas sonho?
E se nada fizer sentido?

Serei eu capaz de apontar o caminho?
Serei.

Joseph H.

Noite Fria

Noite Fria

"Para que servem as massas de ar?" - Emanuelle D.V.B.

Cobertores abertos,

Xícaras quentes,

Vento em cobre, em folhas, em gente.

Silêncio…

Meias vestidas,

Pés que se roçam,

E falam, e encolhem, e param.

Silêncio…

Anil estrelado,

Lábios rachados,

Brisa que bate, e morde, e late, e gela.

Silêncio…

Fria noite, outrora quente,

Parte, enfim,

Para buscar quem seu frio não aguente.

Silêncio.

Joseph S.


“E sou meu próprio frio que me fecho
longe do amor desabitado e líquido,
amor em que me amaram, me feriram
sete vezes por dia em sete dias
de sete vidas de ouro,
amor, fonte de eterno frio.”

Carlos Drummond de Andrade.

Tática de jogo

Coletânea


“Não é axagero sentir-se perto da barbárie quando deparamos com a violência que engolfou a sociedade contemporânea. Violenta, não há dúvidas, a raça humana sempre foi: o homem, em sua breve passagem por este planeta, empalou, esfolou, serviciou, fez arder em fogueiras, decapitou, torturou, amputou e fez sangrar seus irmãos – com requintes de crueldade e sordidez que nos fazem pensar seriamente sobre a pertinência de nos considerarmos seres superiores.

Ao mesmo tempo que promovia genocídios, a sociedade procurou mecanismos que impedissem o convívio social de tornar-se uma guerra fratricida sem vencedores. Parece que esse esforço esbarra em algum atavismo que impele o homem a ser brutal e, no limite da contradição, desumano.

Buscam-se explicações sobre o espírito assassino (até mesmo em crianças) em fundamentos que vão da sociologia à psicanálise, passando pela antropologia e outras ciências, como a genética. Miséria desvios éticos e de comportamento, doenças psíquicas, opressão do Estado, sadismo puro e simples – esses são alguns dos componentes que geram o macabro cardápio das perversões modernas.” – Editorial revista Educação

~ º ~

“Nas últimas semanas , a imprensa noticiou com destaque o caso de mortes de crianças por abandono das mães e o assassinato de duas jovens por uma concorrente à vaga de emprego em uma empresa.

Somem-se os homicídios recentes de pais por filhos, os homicídios diários resultantes de assaltos a cidadãos pacíficos e, enfim, os homicídios cometidos por policiais e bandidos nos crônicos conflitos do tráfico de drogas, e a pergunta se torna inevitável: que valor a vida passou a ter entre nós?

(…) Para alguns pensadores contemporâneos, banalizar a vida significa não apenas instrumentalizá-la, mas desatá-la dos vínculos transcendentes que garantem seu valor e seu sentido. [Significa] instrumentalizá-la, mas para finalidades irrisórias. Eis, segundo alguns autores, o drama da cultura atual. Ora, na presente crise de transcendência, a vida perdeu seu secular centro de gravidade valorativa representado pela religião, pela política e pela moral privada familiar. Atribuir valor à vida, hoje, requer um esforço permanente do sujeito para se deslocar de uma perspectiva para outra. (…) A sólida pirâmide de valor da vida se liquefez nos pequenos, provisórios e errantes sentidos determinados pelos padrões científico-econômicos ou pelos interesses da cultura do espetáculo.

Desse modo, em dada circunstâncias, o sujeito pode sentir-se autorizado a julgar que um posto de trabalho vale mais do que a vida do competidor, sem que isso lhe pareça uma aberração moral. O mesmo pode ser dito do abandono de recém-nascidos pelas mães, do assassinato de rivais pela posse e comercialização de drogas, do assassinato de pais que se opõe a namorados de filhos ou avós que negam dinheiro ao neto para o consumo de cocaína.” – Jurandir Freire Costa, Folha Mais!

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“Gosto muito de citar um penalista italiano, acho que o Ferragutti, que escreveu sobre um assunto. Diz ele que o pior resultado da violência é quando ela se banaliza e nos habituamos com ela, achando que é coisa natural, como a chuva, o sol, e o vento.” – Carlos Heitor Cony

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“A banalização do mal é pior que o próprio mal.” – Hanah Arendt

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Tática de jogo


Quem deixaremos em xeque?

Ao longo da linha temporal que acompanha a humanidade, nota-se a grande presença de guerras, conflitos menores, homicídios e genocídios gerados em sua maioria pela ânsia de poder e dominação territorial. Passada a Segunda Guerra Mundial, último grande exemplo de violência, as agressões assumiram menores proporções, porém, sua frequência tornou seus efeitos tão ou mais graves quanto os de um grande ataque.

A brutalidade do ser humano possui suas raízes nos sentimentos de raiva, mágoa, ódio e vingança responsáveis indiretos pela decapitação de João Batista, bem como pelo homicídio do casal “Richthofen”. Sabe-se que a instituição familiar, teoricamente, é responsável por manter a balança entre o bem e o mal favorável ao primeiro, contudo, a família “moderna” posta-se áquem dessa responsabilidade e o resultado é refletido, por exemplo, em adolescentes com extensas fichas policiais como mostrou o programa Domingo Espetacular, nesse final de semana.

Felizmente, a dizimação de civilizações como ocorreu com os Astecas tornou-se incomum, tendo os conflitos na África Sub-saariana como possíveis derivadas. A modernidade trouxe consigo a predominância de outras faces da violência (moral e verbal), no entanto, não eliminou o embate físico alimentado pelo tráfico de drogas e, sobretudo, de armamento.

Se família, governo e sociedade mantiverem um trabalho gradativo de prevenção à violência, não apenas quando os olhos do mundo voltarem-se para o país devido à Copa Mundial e às Olimpíadas, outrossim, mostrando à população que a vida é valiosa demais para ser subserviente ao medo, conseguiremos deixar a banalização do mal, ainda enquanto jovem, em xeque-mate.

José Henrique.

 

Keep Writing…

Guerra e Paz (analogia falaciosa)

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“A justiça se defende com a razão, e não com as armas. Não se perde nada com a paz, e pode-se perder tudo com a guerra.” – Papa João XXIII

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Guerra e Paz - Portinari


É surpreendente como uma frase escrita há quase meio século não perde sua essência. A questão da violência é tão metódica que o próprio Papa João XXIII atribuiu à RAZÃO o papel de defensora da justiça, sem mencionar sua tendência transcendental.

Em tempos de egoísmo e idiossincrasias, a paz deveria ser a opção tanto daqueles que não possuem espírito solidário, quanto dos que compartilham seus bens materiais e imateriais. Todavia, os primeiros não contentam-se com os seus bens e movem montanhas, ou geram guerras, a fim de obterem sempre mais. Na escuridão da vida humana, a paz ilumina a saída, mas ao deixar a sala, o homem levará nada. Então, ele fica, ainda que não enxergue aquilo que o cerca.

 

 

 

Caros Leitores, estive ausente por um longo período e certamente minhas composições permanecerão com publicações espaçadas. Iniciei um curso preparatório de redação, e como haverá várias propostas a serem feitas, quando achar que o Reflexões está ligeiramente jogado às traças (rsrs) atualizarei com redações e textos diversos escritos no decorrer do aprendizado. Anseio pela sua compreensão ;D

Sobre a publicação de hoje: propuseram-me escrever um texto opinativo sobre a frase do Papa João XXIII, e por achá-la simplesmente belíssima resolvi postá-la.

Além de conter um significado profundo, funciona como uma luva para nossa Reflexão.

Abraços.

Paradoxos da modernização – Emirados Árabes Unidos

Court rules on domestic discipline

Hassan Hassan

“[...] The Supreme Court ruling on a domestic abuse case clarifies national law in an area that affects the family, the safety and welfare of women in society, and gender relations - The National Editorial

Dr Ahmed al Kubaisi, the head of Sharia Studies at UAE University and Baghdad University, said that under Sharia (Islamic law) beating one’s wife was an option to prevent the breakdown of the family. [...]” - Continue lendo (“The National” website – Oct 2010)

Espaço do leitor:


Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2011.

Ao Senhor Editor-Chefe do jornal,

A priori saúdo-o pela elaboração da reportagem a respeito da Disciplina Doméstica de acordo com a Lei Islâmica. Certamente trata-se de um tema polêmico e divergente. Parabenizo-o pela coleta de opiniões como a do Dr. Kubaisi e de informações como àquelas referentes à Sharia, vocábulo cujo significado e aplicação certamente é desconhecido por grande parcela da população ocidental.

Ao refletir sobre o tema, percebo, sob a sombra das grandes edificações, símbolos concretos da modernidade mais fortemente expressa no Oriente Médio, os resquícios da pré-história humana, momento no qual a FORÇA FÍSICA era a principal forma de superar obstáculos. Questiono-me: como uma civilização tão ardentemente religiosa subordina-se às agressões e atentados contra a vida? Salvo toda a reportagem apresentada, e atento para o seguinte trecho: “[...] beating one’s wife was an option to prevent the breakdown of the family. [...]” – pergunto, pois, às autoridades competentes, qual estrutura familiar seria protegida se após a agressão as bases de sustentação corroerem-se. Como a esposa poderá amar o marido, enquanto família e homem, se a imagem entalhada em sua mente após o feito se assemelha mais a de um pai; como um filho poderá respeitar a mãe, se o pai a tratar como outra criança. Não haverá, portanto, como proteger algo insólito.

Admito o extrato cultural intrínseco à Sharia. Outrossim, não instigo críticas ao Islamismo, apenas gostaria de saber a opinião das mulheres islâmicas quanto ao assunto. Se elas, vítimas subordinadas e subjugadas pelo controle masculino sentirem que sua liberdade, enquanto humanas, não está sob ameaça, então, que permaneça a Islamic law.

Saliento os motivos que me levaram a escrever essa carta, dentre os quais destacam-se a luta feminina pela igualdade de direitos (conquistado no Brasil com a Constituição de 1988); o desafio de inserirem-se no mercado de trabalho com gratificação congruente à masculina e os demais pré-conceitos tangíveis ao gênero.

Grato.

João José da Penha.

[`·.]-[.·´]

Elas estão sem voz, ou cortaram-lhes a língua?

 

Deparei-me com a reportagem acima há pouco mais de uma semana e soube que deveria compor alguma coisa em relação ao assunto. Embora eu saiba que exista muito mais conteúdo a ser abrangido na defesa ou acusação do tema, meu inconformismo permitiu-me, apenas, finalizar a Carta do Leitor anterior. Sem mais.

Espero que volte a questionar a violência contra à mulher em um outro momento. E certamente, utilizarei desse artigo como argumentação.

Obs.: O nome: João José da Penha foi criado na intenção de aludir à Lei Brasileira Maria da Penha.

Opinião acerca do nacionalismo Brasileiro contemporâneo.

Dos filhos deste solo és mãe gentil / Pátria amada, Brasil!

Filhos do Brasil.


Diante das recentes titulações do país como palco da Copa do Mundo (2014) e dos Jogos Olímpicos Mundiais (2016), insurge perante à população um frenesi visto poucas vezes no cenário histórico brasileiro.

É evidente que a gradativa e constante simpatia dos cidadãos pelo país seja fruto de uma processo evolutivo, pois em suas origens há a preocupação dos latifundiários quanto à manutenção do espaço na categoria de Estado Nacional, sem regressar à condição de Colônia, observado tanto no período do Congresso de Viena quanto no subsequente à Independência, outrossim trata-se de um processo mutualista (Estado e população)  tangente ao desenvolvimento da nação, haja vista que a valorização do país instiga a venda de produtos nacionais, causando a rotatividade do comércio, bem como reduz a parcela de migrantes internacionais resultando numa maior disponibilidade de PEA.

Há, todavia, aqueles que optam por manterem-se alheios ou apáticos a esse sentimento coletivo de AMOR NACIONAL. Postam-se à margem do orgulho pelo Estado que, enfim, consolida-se no espetáculo mundial dos povos. Alienam-se defronte às maravilhas brasileiras e subvalorizam nossas MATAS, FLORESTAS, FAUNA, FLORA, MENTES E VALORES.  Deserdam-se voluntariamente, ora influenciados pelos meios de comunicação que conferem-lhes gostos, desejos e modos de vida que assemelham-se basicamente aos ditos países de “Primeiro Mundo” (termo pejorativo, dado à inexistência dos países de “Segundo Mundo” – extintos no pós-guerra), o qual, mesmo nao sendo condizentes com a realidade do espectador despertam-lhe a ânsia pela “superioridade”, ora por opção pessoal. O fato é que alguns Filhos Deste Solo não estão dispostos a contribuir na emersão de sua Mãe Gentil.

Sinto-me envergonhado por admitir a idiossincrasia desses “famigerados brasileiros”. Para soerguer um país, não basta a administração pública Executiva, Legislativa e Judiciária, essas são alicerces da manutenção da Ordem e cumprimento da Legislação vigente, é preciso que haja uma parceria com a população que deve denunciar às autoridades os crimes, roubos, injustiças e problemas sociais, em concordância tais autoridades devem responder com medidas efetivas no combate e resolução dos fatos apresentados.

Reconheço o trabalho estafante de regulamentação de um país com as dimensões continentais do Brasil, mas se nós, brasileiros, continuarmos a expurgar o patriotismo, seremos os responsáveis diretos pelo regresso e abatimento da Pátria-mãe.

Policarpo Q.

 

 

Leitor, sei que estamos distantes de 2014 e, mais ainda, de 2016, mas minha intenção na escrita e divulgação desse ARTIGO DE OPINIÃO é de preparar nossos ânimos por meio de pequenos passos. Espero criar mais composições com o mesmo tema, a precocidade dessa publicação tem raízes na confidência de uma amiga quanto a sua antipatia pelos símbolos máximos da nação – Bandeira e Hino Nacional.

Devemos manter um nacionalismo moderado, afinal, como é sabido, a exacerbação desse sentimento causou, dentre vários conflitos, a Segunda Guerra Mundial. Se nós não gostarmos do país onde nascemos e onde vivemos (ou não), quem o fará por nós? Quem defenderá seu ponto de vista? Quem valorizará e preservará seus patrimônios? Quem o conduzirá ao futuro? Num mundo em que o neocolonialismo ainda move montanhas, seja por motivos expansionistas ou econômicos, não se pode permitir a derrubada de uma Nação que caminha rumo ao estrelato internacional.

Somos um dos celeiros mundiais, importantes produtores de commodities, fornecedores de matérias-primas, formadores de especialistas, prorpietários de um invejado potencial hidráulico e biológico. Estamos localizados no meio da tectônica Sul-americana e, portanto, não suscetíveis à grandes abalos sísmicos. Atualmente, despertamos os olhos do mundo petrolífero pela quantidade e qualidade do produto encontrado em nosso subsolo (Pré-sal). Não possuímos conflitos significativos de cunho racial e étnico. Somos destaque no esporte, na manutenção da democracia (pioneiros na criação e utilização de urnas eletrônicas). Somos um país. Convido-o a formarmos uma só nação brasileira.

Obs 1: O pseudônimo escolhido faz referência à obra de Lima Barreto – Triste Fim de Policarpo Quaresma – a qual relata a história de vida de um nacionalista convicto e seu fim trágico pelas ‘armas da Nação’.

Obs 2: Embora eu seja moderadamente nacionalista, uso estrangeirismos e gosto de aprender novos idiomas, MAS não coloco os demais paises em detrimento do meu.

Grato.

Keep reading. Keep writing.